← Rio de Janeiro Regional

Dias do rock e heavy metal não esgotam ingressos no Rock in Rio 2026

06 de September de 2026 0 leituras
Dias do rock e heavy metal não esgotam ingressos no Rock in Rio 2026
Foto: Ayoub Galuia / Pexels

Seja nas redes sociais ou na vida offline, um comentário insistente se repete em praticamente todo Rock in Rio —"Não tem mais rock no festival". Ainda que outros gêneros há décadas façam parte do megaevento carioca, trata-se de uma mentira, já que em toda edição há pelo menos um dia dedicado ao rock.

Mas o gênero que batiza o Rock in Rio, e sua vertente mais pesada, o heavy metal, não esgotaram os ingressos desta vez. Nas tardes da última sexta (4) e deste sábado (5), ainda era possível comprar ingressos para cada um dos dois primeiros dias da edição de 2026 do festival.

Encabeçado pelo Foo Fighters, o dia inaugural deste Rock in Rio contou com shows esvaziados, como os de Nova Twins e Hot Milk. Mesmo nas performances de Rise Against e The Hives, atrações do palco Mundo, o maior do festival, as plateias não estavam abarrotadas, e era fácil andar até a grade.

No dia seguinte, que tem Avenged Sevenfold e Bring Me the Horizon como atrações principais, a sensação era de que havia mais gente circulando pelo Parque Olímpico. Mesmo sob chuva, e com ingressos ainda à venda, o show do Sepultura atraiu uma multidão animada à tarde.

Para comparação, até o começo da noite de sábado, ainda havia ingressos disponíveis para as datas encabeçadas por Stray Kids —e outras bandas de k-pop, em 11 de setembro— e Twenty Pilots e Zara Larsson, no dia 13. As entradas para ver Calvin Harris e Black Eyed Peas, no domingo (6), Elton John e Gilberto Gil, na segunda (7), e Maroon 5 e Demi Lovato (12), foram todas vendidas com antecedência.

Desde que voltou a acontecer recorrentemente no Rio de Janeiro, em 2011, não é costume do Rock in Rio ter datas em que não vende todos os ingressos. Isso aconteceu nas últimas edições e, pelo menos no começo desta atual, atingiu o gênero mais atrelado à marca do megaevento.

Além da constatação óbvia, de que o rock tem pouca renovação e perdeu popularidade nos últimos anos, é possível pesar as escolhas específicas do Rock in Rio. Até porque há bandas em atividade que lotam estádios múltiplas vezes no Brasil —o Oasis e o System of a Down, mais recentemente, são apenas alguns exemplos.

Neste Rock in Rio, a grande maioria do público presente na sexta parecia se interessar apenas pelo Foo Fighters. The Hives e Rise Against fizeram shows corretos e dedicados, mas não encontraram fãs para ecoarem em coro suas músicas.

Ambas construíram uma carreira no Brasil abrindo para atrações maiores ou sendo atrações menores de outros festivais. Os suecos já abriram para o Arctic Monkeys, em 2014, e para o My Chemical Romance, neste ano, enquanto os americanos tocaram antes do Offspring no ano passado e do Prophets of Rage em 2017, entre outras situações.

Em paralelo, há uma tentativa de renovação do famoso "dia do metal". Neste sábado, em vez de um público mais velho para ver shows como os de Iron Maiden, Metallica ou outros dinossauros do gênero, o Parque Olímpico estava recheado de jovens fãs do Bring me the Horizon e do Avenged Sevenfold.

Neste ano, o Rock in Rio apostou num rock pesado rejuvenescido e menos ortodoxo, com sonoridades metalcore, hardcore e até emo. É um caminho que pode funcionar para o festival não depender dos mesmos medalhões.

Ainda assim, há outras questões que podem explicar os ingressos não terem esgotado. Uma delas é uma reclamação constante relativa ao Rock in Rio como um todo —a repetição.

O Avenged Sevenfold esgotou os ingressos do seu dia no Rock in Rio de 2024, ainda que seu show não tenha ficado totalmente lotado. A banda agora volta ao festival dois anos depois, de novo na condição de headliner, sendo que fez duas apresentações no Brasil há menos de oito meses —incluindo uma no Nubank Parque, em São Paulo.

Por mais que tenha muitos fãs no país, o Avenged Sevenfold não parece ter toda essa demanda de megashows em tão pouco tempo.

O Bring Me the Horizon é um caso ainda mais específico, já que o vocalista Oliver Sykes é casado com uma brasileira e mora em Taubaté, no interior paulista. A banda britânica não lota estádios em seu país, e nem em outro, mas fechou o Nubank Parque em 2024, em São Paulo, no maior show de sua carreira.

A outra atração do palco Mundo neste sábado, Mgk, ou Machine Gun Kelly, sequer toca rock pesado. Está mais para um nome pop, que foi do rap ao pop punk melancólico. De volta ao Brasil pela terceira vez em quatro anos, ele cantou para uma plateia dispersa no começo da noite.

Pescar e convencer artistas que são queridos, mas vêm pouco ao país, pode ser uma saída para o Rock in Rio manter o rock como um de seus maiores chamarizes. É uma habilidade que o megafestival já teve, mas parece ter perdido.

Acompanhe a Recifes.net

Gostou desta leitura? Siga a Recifes nas redes e receba as proximas pautas no WhatsApp.

Rodapé editorial

Matéria produzida com curadoria editorial assistida por IA, a partir de pauta de redir.folha.com.br.

Compartilhar:
Leia também